Mercado imobiliário português mantém-se firme perante a incerteza

Apesar do contexto internacional, investimento no país cresceu 13% na primeira metade do ano, impulsado pela hotelaria e retalho.
O mercado imobiliário português tem demonstrado resiliência no atual contexto de incerteza económica a nível internacional e pelas tensões geopolíticas, estando mesmo a superar o ano passado. Em concreto, registou-se um de volume de investimento de 1.386 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026 o que representa um crescimento homólogo de 13%.
Esta é uma das principais conclusões do estudo semestral Prime Watch, da consultora portuguesa B. Prime, que revela ainda que os investidores mantiveram o interesse, sobretudo, nos segmentos de hotelaria e retalho, representando, em conjunto, 63% de todo o capital investido. No que respeita ao retalho, o segmento conseguiu alcançar um crescimento de 11% na taxa de ocupação, com as localizações de rua a manterem-se na liderança da abertura de novos espaços comerciais, muito devido à expansão das marcas internacionais e ao crescimento de conceitos de retalho de proximidade e baixo custo.
Já nos escritórios, o mercado de Lisboa teve uma ocupação de 66.906 metros quadrados (m2) no período em análise, com a procura por edifícios modernos, eficientes e sustentáveis a manter-se sólida. No entanto, a consultora alerta que o ‘pipeline’ previsto até 2028 possa não ser suficiente para dar resposta à futura procura nas principais zonas da cidade.
Quem também continua a destacar-se pelo seu dinamismo é o setor industrial e logístico, que registou, no primeiro semestre de 2026, uma absorção de 199.182 metros quadrados (m2), com os centros de dados a afirmarem-se como tendência emergente, uma vez que já representam aproximadamente 9% da área em desenvolvimento.
Jorge Bota, Managing Partner da B. Prime, destaca os “fundamentos sólidos” e a “capacidade de adaptação notável” do mercado imobiliário português, “perante um enquadramento internacional mais desafiante”, afirmando que “a estabilidade observada nas ‘yields’, a manutenção do interesse dos investidores e a procura consistente por ativos de qualidade demonstram a maturidade e a atratividade do mercado nacional”.
“Portugal continua a afirmar-se como um destino de investimento relevante no contexto europeu, suportado pela resiliência da sua economia e pela existência de oportunidades em diferentes segmentos imobiliários. Nos próximos anos, um dos principais desafios passará por garantir uma oferta capaz de acompanhar a procura, sobretudo nos mercados mais consolidados”, acrescenta.
A edição mais recente do estudo semestral da B. Prime sugere ainda que a segunda metade do ano deverá ser positiva, dada a evolução da economia portuguesa, o dinamismo do turismo, a execução dos fundos europeus e a continuidade do investimento empresarial.
NOTICIA: Cátia Colaço (Colaborador do idealista news)



