Hotelaria lidera investimento imobiliário em Portugal com 508 milhões no primeiro semestre

Setor regista crescimento de 25% e concentra 37% do total de 1.378 milhões transacionados. Indústria e Logística sobem 73%, segundo o estudo de multinacional.
A hotelaria foi o grande destaque do investimento imobiliário em Portugal no primeiro semestre de 2026. Segundo o estudo “Investment in Portugal – Q2 2026 Snapshot”, da Colliers, o setor captou 508 milhões de euros, equivalentes a 37% do volume total de 1.378 milhões de euros, e registou um crescimento de 25,1% face ao mesmo período de 2025.
O volume global desceu 12,8% em relação ao primeiro semestre do ano anterior (marcado por um desempenho excecionalmente elevado), mas a quebra foi inferior à média europeia (−23%). O mercado português mostrou maior seletividade, concentrando capital em setores com fundamentos operacionais sólidos.
A hotelaria consolidou-se como o segmento mais atrativo, segundo o estudo da multinacional Colliers.
“O grande desempenho da hotelaria reflete a atratividade de Portugal enquanto destino turístico europeu, suportada por níveis de ocupação saudáveis e pelo crescimento do número de visitantes internacionais”, afirma Pedro Valente. “O setor continuará atrativo, não só para investidores nacionais, mas também internacionais”.
O retalho ficou em segundo lugar, com 422 milhões de euros (31% do total), apesar de uma redução de 30% em termos homólogos. A procura manteve-se focada em ativos com fluxos de caixa defensivos, baixa vacatura e arrendatários de qualidade, sobretudo nas principais artérias comerciais e centros comerciais.
Indústria e Logística com o maior crescimento
O segmento Industrial & Logística (I&L) foi o que mais cresceu: +73%, para 169 milhões de euros (12% do total). A evolução é sustentada pela escassez estrutural de oferta, pela tendência de nearshoring e pela expansão do comércio eletrónico.
“As áreas da Indústria e da Logística ainda têm muito potencial de crescimento, nomeadamente perto dos grandes centros urbanos, mas também em zonas de forte crescimento, como Sines e Matosinhos”, sublinha Pedro Valente. Os ativos prime na Grande Lisboa e no Grande Porto continuam a atrair interesse, ao mesmo tempo que ganham peso operações de valor acrescentado e de sale-and-leaseback.
Já o investimento em escritórios ficou-se pelos 70 milhões de euros (−47,3%), enquanto o segmento de habitação (living) somou 88 milhões (−74,2%). Os ativos alternativos (saúde, residências sénior e centros de dados) representaram 121 milhões de euros (9% do total).
A Colliers mantém uma leitura positiva dos fundamentos do living, apontando a escassez de habitação, o crescimento populacional e a procura internacional. Nos escritórios, o capital continua concentrado em ativos prime de classe A com fortes credenciais ESG, em Lisboa e no Porto.
A multinacional Colliers diz que as prime yields permaneceram estáveis face ao trimestre anterior em todos os principais segmentos. Esta estabilidade, aliada à melhoria das condições de financiamento, cria um enquadramento gradualmente mais favorável.
A consultora antecipa uma recuperação gradual do volume de transações, apoiada pela evolução das taxas de juro, pela resiliência dos mercados de ocupação e pelo interesse dos investidores internacionais. Hotelaria e Indústria & Logística deverão continuar entre os segmentos mais relevantes.
“O mercado português está a atravessar uma fase de maior seletividade, e não de ausência de capital. O investimento está a concentrar-se nos ativos e setores onde os fundamentais operacionais oferecem maior visibilidade, com a hotelaria e o Industrial & Logística a destacarem-se neste primeiro semestre”, conclui Pedro Valente.
NOTICIA: JORNAL ECONÓMICO



