Crescimento da Comporta pressiona habitação e serviços públicos na região

Concelho de Grândola sente já os efeitos na procura de trabalhadores, na saúde e na necessidade de criar condições para fixar famílias.
O crescimento turístico e imobiliário da Comporta está a aumentar a pressão sobre a habitação, os serviços públicos e as infraestruturas dos concelhos vizinhos. Embora muitos dos projetos se localizem em Alcácer do Sal, Grândola sente já os efeitos na procura de trabalhadores, no trânsito, na saúde e na necessidade de criar condições para fixar famílias na região.
Segundo o Jornal Económico, o presidente da Câmara de Grândola, Luís Vital Alexandre, alerta que existe uma “enorme procura de mão de obra” e que isso exige respostas concretas para manter pessoas no território. A autarquia aposta na construção de habitação pública acessível, mas defende que os promotores devem participar nessa solução. “Os próprios promotores devem prever, na fase de investimento, a provisão de habitação acessível para trabalhadores que necessitam de captar e fixar”, afirma o autarca.
A pressão não se limita às casas. O município aponta necessidades acrescidas nas redes de água e saneamento, estradas, transportes, escolas e cuidados de saúde. A Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano está dimensionada para cerca de 100 mil residentes, mas o território recebe milhares de visitantes e trabalhadores sazonais. Luís Vital Alexandre considera, por isso, que “é fundamental que o Governo acompanhe o investimento em infraestruturas públicas, em habitação e em equipamentos coletivos”, lê-se na publicação.
Os promotores reconhecem que terão de ajudar a responder à procura criada pelos próprios projetos. João Cabaça adianta que a VIC Properties está a desenvolver uma solução para fixar novas famílias na região e defende que não é socialmente sustentável que grandes empreendimentos ignorem a habitação dos seus trabalhadores. No Pinheirinho, a estimativa aponta para cerca de dois mil trabalhadores durante a construção e mil postos de trabalho após a abertura do resort. Para a autarquia, investidores e outros agentes locais, o potencial de crescimento da Comporta é evidente, mas a forma de o concretizar dependerá de um equilíbrio entre turismo, habitação, serviços públicos e preservação da baixa densidade que tornou o destino atrativo.
Artigo visto em (Jornal Económico)
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